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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uso de "gente" e "nós"

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Afinal de contas, podemos ou não utilizar a expressão "a gente" no lugar de "nós" ? Dizer que não há problema nenhum em usarmos a expressão no dia-a-dia, na linguagem coloquial, contraria muitas pessoas, para quem esse uso da palavra "gente" deveria ser abolido de vez.

Evidentemente não é possível eliminar a expressão da língua do Brasil, mesmo porque seu uso já está mais do que consagrado. Mas quando ela é de fato mais lícita? No bate-papo, na linguagem informal. No texto formal, ela está fora de questão. Mas, uma vez usada, como deve ser a concordância? É "a gente quer" ou a "gente queremos"? A maneira correta é:

A gente quer.
Nós queremos.


O uso da expressão "a gente" em substituição a "nós" é tão forte que algumas vezes dá origem a confusões. Veja o trecho da canção "Música de rua", gravada por Daniela Mercury:

... E a gente dança
A gente dança a nossa dança
A gente dança
A nossa dança a gente dança
Azul que é a cor de um país
que cantando ele diz
que é feliz e chora


"A gente dança a nossa dança". É tão forte a ideia de "gente" no lugar de "nós" que nem faria muito sentido outro pronome possessivo para "gente", não é? O "nossa" é pronome possessivo da 1ª pessoa do plural e, portanto, deveria ser usado com o pronome "nós":

"Nós dançamos a nossa dança".

Na linguagem coloquial, no entanto, diz-se sem problema "a gente dança a nossa dança", "a gente não fez nosso dever", "a gente não sabia de nosso potencial".


No bate-papo, no dia-a-dia, na canção popular, não seria inadequado o emprego da palavra "gente" — que nos perdoem os puristas, os radicais, os conservadores. Só não é possível aceitar construções como "a gente queremos". Isso já seria um pouco excessivo. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

"Viajem" ou "viagem"? "Chuchu" ou "xuxu"?


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Muitos têm dificuldade para acertar na grafia das palavras. Nesses casos, é fundamental consultar o dicionário com freqüência.

A palavra "chuchu", por exemplo, nem sempre é grafada corretamente. Escreve-se "chuchu", como se pode perceber, com "ch" e sem acento.

Outra "curiosidade" que a língua nos oferece diz respeito à palavra "viagem". Entrevistamos o povo na rua a respeito desse termos, e as respostas se dividiram.. Algumas pessoas garantem que é com "g", outras, com "j". Qual a forma correta?

Ambas as formas são possíveis: "viajar" é com "j", mas "viagem" pode ser escrita tanto com "g" como com "j". "Viagem" com "g" é o substantivo. "Viajem" com "j" é a forma verbal do verbo "viajar". Veja:

Que eu viaje
Que tu viajes
Que ele viaje
Que nós viajemos
Que vós viajeis
Que eles viajem


Ex.: Eu quero que vocês viajem agora e que façam uma ótima viagem. Interessante, não ?
Dúvidas também aparecem quanto à grafia das palavras "através", "atrás", "atrasado". Elas são escritas com "s" ou com "z"?

"Atrás", "atrasado", "atrasar" são palavras de uma mesma família, têm o mesmo radical e todas são escritas com "s". "Através" também é escrita com "s".

Problemas relacionados à grafia existem em outras línguas, não sendo exclusivos da língua portuguesa.


Em todos os casos, não há outra saída. Leia com constância para fixar a grafia das palavras e não se esqueça: quando a dúvida permanecer, vá ao dicionário, pois a certeza está lá.

Fonte: 

http://www2.tvcultura.com.br/aloescola/linguaportuguesa/ortografia/grafiacorretadaspalavras.htm

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Embaixo ou em baixo

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Nosso sistema ortográfico possui algumas incoerências. Uma delas é o caso de "embaixo". Juntamos ou separamos essa palavra? Vejamos a letra da música "Eu vou estar", do grupo Capital Inicial.
(...)


Nos seus livros
nos seus discos
vou entrar na sua roupa
e onde você menos esperar
embaixo da cama
nos carros passando
no verde da grama
na chuva chegando
eu vou voltar...


"...embaixo da cama", diz a letra. E se fosse "em cima da cama"? Nesse caso, deveríamos usar duas palavras: "em" e "cima". Mas "embaixo" constitui uma única palavra. 

Havia uma propaganda de rádio em que um menino dizia: "Pai, porque 'separado' se escreve tudo junto e 'tudo junto' se escreve separado?". De fato, parece uma incongruência.

Seja como for, escreve-se "embaixo" junto e "em cima" separadamente. 

Se a palavra "baixo" for adjetivo, então ela será autônoma, como neste exemplo:

Ele sempre se expressa em baixo calão, em baixa linguagem.


De resto, o contrário de "em cima" é "embaixo".

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O apóstrofo


Um verdadeiro motivo de confusão é o apóstrofo, um sinal em forma de vírgula usado em certos casos de união de palavras. Um exemplo do uso do apóstrofo está na canção de Chico Buarque "Gota D'água":


Deixa em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...


O compositor preferiu escrever "gota d'água" a escrever "gota de água" . O apóstrofo representa a junção de duas palavras: "de" e "água".

Há casos de exagero no uso do apóstrofo. É o que ocorre em relação a "pra", redução da palavra "para". Nesse caso, não há junção de palavra com palavra. Logo não há por que colocar o apóstrofo.


O apóstrofo pode ser usado ainda de forma criativa e brincalhona. É o que vemos, por exemplo, no nome de um bar situado na rua Eça de Queirós, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O nome do estabelecimento é ENTRE N'EÇA. Os proprietários criaram essa marca com base no nome da rua e na expressão popular "entre nessa". Ocorreria, nesse caso, um fusionamento de palavras, "no Eça", conforme sugere o trocadilho com "nessa".

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Palavras italianas


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Todo mundo sabe que, além do tradicional arroz e feijão, o brasileiro adora uma massa, não é? O programa "Nossa Língua Portuguesa" foi às ruas para saber como as pessoas grafam algumas palavras muito comuns na culinária típica da Itália. 

Vamos aos resultados:

Lasanha: lazanha / lasanha 
Nhoque: enhoque / nhioque
Espaguete: spaguetti / espaguete / spaghet
Muçarela: mussarela / musarela / muzzarella


Falando em comida, vimos nas respostas uma verdadeira salada! Bem, os dicionários registram formas aportuguesadas dessas palavras. "Lasanha", por exemplo, em italiano se escreve com "s" e "gn", ou seja, "lasagna", e em português com "s" e "nh", "lasanha". Depois vimos "nhoque". Em italiano, é "gnocchi", mas, em português, escreve-se com "nh" no começo e "que" no final ("nhoque"). Vimos também "espaguete", que em italiano se escreve "spaghetti" e vem de "spago", que quer dizer barbante.

Mas o grande problema é mesmo com a palavra "muçarela", grafada dessa maneira pelo vocabulário ortográfico oficial da Academia Brasileira de Letras. Os dicionaristas não se entendem. O dicionário Aurélio traz "mozarela". O novo Michaelis também grafa "mozarela", mas tolera a forma "muçarela".

Português
lasanha
nhoque
espaguete
mozarela/muçarela
Italiano
lasagna
gnocchi
spaghetti
mozzarella


Então é isso. A coisa é complicada. Determinadas palavras estrangeiras recebem forma aportuguesada, outras não. Na dúvida, vá ao dicionário. Sempre que a palavra tenha uma forma em português, dê preferência a ela.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Palavras inglesas

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Observe a letra desta canção:

Eu não pedi pra nascer
eu não nasci pra perder
nem vou sobrar de vítima
das circunstâncias
Eu tô plugado na vida
eu tô curando a ferida
às vezes eu me sinto
Uma mola encolhida...


Essa canção, "Toda forma de amor", foi gravada por Lulu Santos e por outros artistas. Nessa letra vemos o uso da palavra "plugado", particípio do verbo "plugar". A palavra, que até há pouco tempo não existia em português, começa a surgir nos novos dicionários. Vem do inglês "plug in", verbo que quer dizer "conectar", "ligar na tomada". Nos últimos anos, muitos artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Titãs e Moraes Moreira, têm gravado discos "unplugged". Esse prefixo "un" em inglês significa "não". Assim, o termo "unplugged", algo como "desconectado", "desligado da tomada", é usado para expressar que a gravação foi feita somente com instrumentos acústicos.

Para falar de outro caso desse tipo, vejamos um trecho da canção "Coisa bonita", gravada por Roberto Carlos:

Amo você assim e não sei
por que tanto sacrifício
Ginástica, dieta
não sei pra que tanto exercício
Olha, eu não me incomodo
Um quilinho a mais 
não é antiestético
pode até me beijar, pode me 
lamber que eu sou dietético...



Em restaurantes, costumamos pedir mais por um "guaraná diet" do que por um "guaraná dietético". O termo "dietético" é um adjetivo derivado de "dieta", que, por sua vez, é de origem grega e significa "gênero de vida". Portanto a palavra "dietético" não tem nada a ver com esse uso que temos feito da palavra "diet", que nada mais é do que "dieta" em inglês. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

"trocar de mal" e "ficar de mal"


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Existem determinadas expressões brasileiras que mudam de Estado para Estado. Um exemplo é a expressão "ficar de mal", que em alguns lugares recebe a variação que vemos no trecho abaixo da música "Espelho", de João Nogueira:

...troquei de mal com Deus por me levar meu pai...
Em São Paulo ninguém diz "troquei de mal", que é próprio do Rio de Janeiro e de outras regiões. Em São Paulo a expressão equivalente seria "fiquei de mal".
Nessa mesma letra João Nogueira escreve:
... um dia eu me tornei o bambambã da esquina....

"Bambambã" é uma expressão conhecida em todo o território nacional: "o bambambã do futebol" é o número 1 do time.

Observe outros casos em que uma expressão pode apresentar variação quanto à forma:

Em São Paulo, as pessoas descem do ônibus.
No Rio de Janeiro, elas saltam do ônibus.
A média na capital paulista é café com leite.
Em Santos, média é um pãozinho.
Em Itu (SP), pãozinho é filão.
O filão em S. Paulo, capital, é um pão grande.


A língua oficial não pode ser usada o tempo todo e em qualquer situação; por isso as variações existem e são enriquecedoras.

É o caso da palavra "cacete". A palavra "cacete" em língua culta significa "enfadonho". Assim, "um filme cacete" seria um filme enfadonho.

Nas padarias de Salvador, não se espante se, ao pedir 5 pãezinhos, a balconista avisar ao padeiro: 


"Salta 5 cacetinhos". Seria estranho, em São Paulo, alguém pedir em uma padaria "cinco cacetinhos".

Há ainda a expressão "do cacete", com função qualificadora e mesmo superlativa. Um livro "do cacete" é um livro "excelente". Uma campanha publicitária sobre o Caribe aproveitou essa gíria para montar um trocadilho: "Aruba é do Caribe". É claro que Aruba é do Caribe, mas a intenção é outra. Esse "Caribe" da frase está no lugar de "cacete", com quem compartilha o "ca" inicial.

Fonte:

http://www2.tvcultura.com.br/aloescola/linguaportuguesa/varianteslinguisticas/regionalismo-troqueidemal.htm

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Uso de "gente" e "nós"



Afinal de contas, podemos ou não utilizar a expressão "a gente" no lugar de "nós" ? Dizer que não há problema nenhum em usarmos a expressão no dia-a-dia, na linguagem coloquial, contraria muitas pessoas, para quem esse uso da palavra "gente" deveria ser abolido de vez.

Evidentemente não é possível eliminar a expressão da língua do Brasil, mesmo porque seu uso já está mais do que consagrado. Mas quando ela é de fato mais lícita? No bate-papo, na linguagem informal. No texto formal, ela está fora de questão. Mas, uma vez usada, como deve ser a concordância? É "a gente quer" ou a "gente queremos"? A maneira correta é:

A gente quer.

Nós queremos.

O uso da expressão "a gente" em substituição a "nós" é tão forte que algumas vezes dá origem a confusões. Veja o trecho da canção "Música de rua", gravada por Daniela Mercury:

... E a gente dança

A gente dança a nossa dança
A gente dança
A nossa dança a gente dança
Azul que é a cor de um país
que cantando ele diz
que é feliz e chora


"A gente dança a nossa dança". É tão forte a ideia de "gente" no lugar de "nós" que nem faria muito sentido outro pronome possessivo para "gente", não é? O "nossa" é pronome possessivo da 1ª pessoa do plural e, portanto, deveria ser usado com o pronome "nós":

"Nós dançamos a nossa dança".

Na linguagem coloquial, no entanto, diz-se sem problema "a gente dança a nossa dança", "a gente não fez nosso dever", "a gente não sabia de nosso potencial".


No bate-papo, no dia-a-dia, na canção popular, não seria inadequado o emprego da palavra "gente" — que nos perdoem os puristas, os radicais, os conservadores. Só não é possível aceitar construções como "a gente queremos". Isso já seria um pouco excessivo. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

"Eu sarto de banda"


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Muitas pessoas ainda manifestam preconceito contra variantes linguísticas típicas de determinadas comunidades. Isso é de lamentar, pois, na verdade, o modo como comunidades do interior de São Paulo, por exemplo, pronunciam certas palavras e fonemas enriquece o patrimônio cultural da língua portuguesa.

Veja este trecho da canção "De repente Califórnia", de Lulu Santos e Nélson Motta:

... O vento beija meus cabelos
as ondas lambem minhas pernas
o sol abraça o meu corpo
meu coração canta feliz.
Eu dou a volta, pulo o muro
mergulho no escuro
sarto de banda.
Na Califórnia é diferente, irmão
e muito mais do que um sonho...



Você notou, a certa altura, a expressão "sarto de banda". Não há nenhum problema nisso! Afinal, trata-se de uma letra de música, e não de uma dissertação formal. É muito importante que nós tenhamos noção da variante linguística empregada em determinado ambiente. Não seria admissível escrever "sarto de banda" ou qualquer outra expressão similar num texto formal. Mas numa conversa informal, numa canção, não há o menor problema.




segunda-feira, 12 de junho de 2017

"Voar" e "avoar"


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Chico Buarque escreveu uma canção maravilhosa, chamada "Paratodos", na qual ele mexe com duas palavrinhas que dão o que falar:

... Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho (...)
O meu pai era paulista
Meu avô pernambucano
O meu bisavô mineiro
Meu tataravô baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro


Chico Buarque usou a palavra "avoando", do verbo "avoar". É a forma variante do verbo "voar" e está no dicionário. Muitas palavras na língua portuguesa têm as chamadas formas variantes, ou formas paralelas. Observe outros exemplos:

juntar - ajuntar
intrincado - intricado 
covarde - cobarde



Outra palavra utilizada por Chico Buarque nessa letra e que causa confusão é "tataravô". Nós sabemos que o pai do pai é o avô e que o pai do avô é o bisavô. Mas e o pai do bisavô? Muita gente diz que é tataravô, no entanto os dicionários definem o trisavô como pai do bisavô. Alguns dicionários afirmam que tataravô é forma paralela de tetravô, aquele que seria pai do trisavô. Outros dicionários preferem aceitar aquilo que o povo consagrou no dia-a-dia, ou seja, tataravô como pai do bisavô. Foi essa forma que Chico Buarque preferiu utilizar na letra de "Paratodos".